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Título original: Anansi Boys
País de origem: EUA
Ano: 2005
Autor: Neil Gaiman
Editora: Conrad
Número de Páginas: 383
Nota:



Os Filhos de Anansi

Publicado em 2/8/2006 às 00:01

Texto por Carlos Cyrino

Neil Gaiman é, fácil, o meu escritor de HQs favorito. E isso se deve em grande parte ao seu magnífico trabalho em Sandman, a qual considero uma das melhores séries de quadrinhos já lançadas. E agora ele caminha a passos largos para se tornar também o meu escritor de livros predileto. Isso porque seu novo romance, Os Filhos de Anansi, assim como seu trabalho anterior, Deuses Americanos, é uma ótima leitura, daquelas que você não tem vontade de largar até chegar à última linha.

Essa nova obra, bem como Deuses Americanos, parte da idéia de que deuses antigos (e praticamente esquecidos pela humanidade) continuam vivos, caminhando entre nós e até influindo diretamente em nossas vidas. Só que dessa vez, Gaiman injetou altas doses de humor na narrativa, tornando essa nova história uma comédia divertidíssima e surreal.

Na trama, o pacato contador Charles Nancy, conhecido por todos como Fat Charlie (e ele nem mesmo chega a ser gordo) não é muito fã de seu pai (o dele, não o seu, caro delfonauta). Primeiro porque foi o velho que lhe deu esse apelido do qual nunca gostou, e segundo porque, sempre que podia, ele metia o filho em situações constrangedoras. Mas o cara morre e Fat Charlie decide ir ao enterro. E aí reencontra uma antiga vizinha que lhe revela que o finado era na verdade o antigo deus africano Anansi, a Aranha, dono de todas as histórias. E mais, Charlie tem um irmão que nem sabia que existia.

Óbvio, não vai demorar muito para o maninho, Spider, entrar na vida de Charlie e virá-la do avesso. Spider é o exato oposto de Fat Charlie. Imponente, folgado, cheio de confiança e herdou todos os poderes divinos do pai. Assim, o cara acaba pondo o emprego do irmão em risco, se apaixona pela noiva virgem dele e se recusa a ir embora. Desesperado para tirar o brother encrenqueiro de sua vida, antes que ela vá pelo ralo, Charles recorre ao sobrenatural para fazer Spider sumir da sua frente, mas isso pode complicar ainda mais a situação.

A leitura flui de modo muito agradável e de forma bem rápida. Se você tiver disponibilidade de tempo, dá para matar todas as 383 páginas num dia. Sério! Além disso, todos os personagens são muito bem construídos e fica fácil acreditar que eles poderiam mesmo existir e torcer por eles. Até mesmo pelo Spider, que embora passe quase o livro inteiro sacaneando Fat Charlie, gera uma empatia espontânea pelo seu jeito mais desencanado de lidar com as coisas, afinal, o cara é o filho de um deus, não precisa aturar certos absurdos da vida como trabalhar para ganhar dinheiro, por exemplo. Claro que essa simpatia talvez seja influência de seu poder divino exercido sobre o leitor...

A narrativa de Gaiman é muito boa. Ele não perde tempo dando muitos detalhes desnecessários (tipo o JRR Tolkien, que gasta cinco páginas para descrever uma floresta, árvore por árvore). Situa o leitor apenas no que é estritamente necessário e aí deixa a sua imaginação cuidar do resto. Seu timing cômico também é excelente e, como resultado, o livro gera boas risadas, além de ter falas muito bem construídas e divertidas. Como resultado de todos esses fatores, a leitura é leve e prazerosa, tornando-o um passatempo descompromissado de primeira, que, aliás, você pode adquirir aqui.

Se você gostou de Deuses Americanos e se é fã dos assuntos abordados por Neil Gaiman, tanto em sua obra literária quanto nos quadrinhos (como deuses antigos, sua interação com os homens e situações bizarras tratadas como se fossem a coisa mais normal do mundo), Os Filhos de Anansi é mais que recomendado. É diversão garantida.

Leia mais sobre Neil Gaiman.


  


 
Comentário de aureliox, em 2/11/2010, às 13:41
Esse livro é simplesmente delicioso! Eu fiquei embasbacado com a trama, a forma como tudo se encaixa e está encadeado, simplesmente genial. E as descrições são cinematográficas, é como estar vendo um filme. Esse Neil Gaiman tem mesmo consciencia do que está fazendo, domina mesmo a arte de roteiros. Eu pensava que era só mais um roteirista de quadrinhos da moda, mas não, o cara é bom mesmo!

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