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Título original: Kill Bill: Vol. 1
País de origem: EUA
Ano: 2003
Direção: Quentin Tarantino


Kill Bill: Vol. 1

Publicado em 6/5/2004 às 11:50

Texto por Bruno Sanchez

Quentin Tarantino é um bom diretor e criou filmes divertidos como Pulp Fiction, mas sofre de um mal que não dá para ignorar: não consegue basear seus filmes em boas estórias. São todos grandes sketchs para justificar uma violência tão obsessiva quanto caricata. Tudo bem, eu assumo que ele também é um craque na arte do cinismo, e alguns dos diálogos de seus filmes são impagáveis mesmo que não contribuam muito com os roteiros em geral.

Kill Bill: Vol. 1, sua nova produção segue à risca a fórmula desses filmes anteriores, mas desta vez ele nem tentou criar uma trama complexa para justificar o banho de sangue: é tudo uma grande desculpa assumida para seqüências de lutas grandiosas (muito melhores que as de Matrix e sem efeitos computadorizados) e personagens totalmente estereotipados.

A estória, se é que ela existe, nos conta o terrível destino da “noiva” Uma Thurman (seu nome no filme não é revelado), que, em seu casamento, é vítima de um verdadeiro massacre comandado pelo seu misterioso chefe, Bill (David Carradine que nem dá as caras neste primeiro capítulo) deixando-a em coma por cinco anos. Quando acorda, a “noiva” só quer saber de uma coisa: vingança contra todos os seus ex-colegas de trabalho e é só o que Tarantino acha que precisamos saber.

A trama não é contada de modo linear, mas isso não interfere o bom entendimento do que está acontecendo na tela, aliás, honestamente, a única cena que realmente revela alguma coisa importante e surpreendente está nos últimos 5 minutos.

A idéia original era apenas um filme de 3 horas de duração, mas por questões comerciais ($), o estúdio decidiu dividí-lo em duas produções com um intervalo de seis meses deixando muito da estória e dos bons diálogos do diretor para o segundo “volume” mesmo.

As cenas de luta acabam sendo o grande destaque, todas são claramente baseadas naqueles filmes forçados de artes marciais asiáticos dos anos 60 e 70. Tudo acrescido de muito sangue de mentirinha que não pára de jorrar um minuto, inclusive molhando a câmera (um efeito absurdamente forçado, mas muito engraçado). As coreografias são fantásticas e os golpes, muito mais convincentes do que os do multimilionário Matrix e, aliás, é impressionante verificar os movimentos de Uma, totalmente à vontade lutando, sendo que a atriz havia acabado de parir um rebento quando as filmou.

Uma particularidade interessante é o anime da metade do filme, que conta a estória da vilã O-Ren Ishii (Lucy Liu), produzido pelo mesmo estúdio responsável por Ghost in The Shell. Os desenhos e movimentos são tecnicamente perfeitos, mas tudo segue o estilo do resto da produção com pouca estória e muita violência gratuita.

Enfim, se você está naqueles dias de mau humor em que tudo dá errado ou adora uma porrada com estilo, Kill Bill pode ser uma ótima opção; mas se você é daqueles sensíveis e desmaia só de cortar o dedo com folhas de papel, procure outra coisa para fazer.

Eu dei muita risada.

Leia mais sobre Tarantino.


  


 

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